terça-feira, 7 de março de 2017

#elasmeinspiram - Segunda Historia


Olá Tchutchucas!

Quando eu digo que as melhores historias são daquelas mulheres anonimas, que agente nem faz ideia e por isso! Como não se inspirar com alguém que enfrenta o preconceito, da um chega pra nos próprios fantasmas e mostra para o mundo para que veio?!
Pois essa é a Thaymara de Souza, uma mulher de 27 anos mas com um rosto e corpo de 18. E a pouco mais de um ano uma mulher crespa, poderosa e com muito estilo. Eu sei não é justo rsrsrs !



...e como muitas mulheres e meninas negras, e do cabelo de "Pico" como eram chamadas as meninas de cabelos crespo e afro do tempo de escola. Já passei por muitos momentos difíceis e sofri muito logo na adolescência, pelo fato de desde criança alisava o cabelo, na verdade a primeira vez que usei química foi   aos 12 anos, aquela fase em que nós meninas começamos a nos descobrir e descobrir a "vaidade". Quando as amigas de cor branca e cabelos longos e lisos eram as mais lindas da escola,aquele "PADRÃO". Até o dia em que eu resolvi alisar o meu cabelo porque me sentia  feia e achava que ninguém iria olhar pra mim.


Ainda na escola, após alisar o cabelo, não satisfeita porque mesmo alisado era muito curtinho resolvi usar aqueles apliques de pregadeira, amarrava o cabelo e fazia um coque e colocava o aplique tipo um "rabo de cavalo". Foi onde um dia ainda dentro da escola, um colega de sala que adorava zoar do meu cabelo puxou o aplique e saiu rodando ele para cima no meio do pátio da escola, a partir desse dia me senti ainda mais feia, porque todos sabiam que aquele cabelo não era meu e pelo "mico" que ele me fez passar. Lembro que naquele mês ainda eu sofri uma queda de cabelo decorrente ao alisamento que tinha feito que afetou meu coro cabeludo, chegando a ficar careca em algumas partes da cabeça, por isso usava o aplique pra ajudar a disfarçar a queda.
Bom, passei por vários outros momentos vergonhosos.
Por algum tempo usei MEGA HAIR para me sentir bem, logo comecei a namorar e casei, e foi ai que decidir tirar o MEGA e deixar o cabelo natural. O meu marido junto com minha sogra e algumas amigas super me apoiaram, e decidi finalmente cortar o cabelo e deixar fluir. Sofri muito também cos comentários desnecessários de algumas pessoas por ter cortado o cabelo "Joaozinho" mas a gente leva, engole o que não nos acrescenta e segue em frente.
Hoje com 1 ano e 3 meses após deixar os alisantes de lado, me sinto uma mulher mais livre, livre por poder ir à praia e mergulhar sem ter que me preocupar em como escovar o cabelo depois, livre por poder andar na chuva kkkk haaa  como é bom rsrs..
E sentir linda de verdade, do jeito que eu sempre fui e me escondia. E agora kkk quantos elogios eu recebo a auto estima vai lá em cima.. Como é bom..



Uma garota crespa, que passou pela transição ou que fez um BC não é apenas uma mulher que tem o cabelo natural, por trás de todo esse processo existe um crescimento pessoal. É uma confiança que nasce, que brota e nos faz perguntar para a sociedade "porque eu tenho que ser o que ela quer?"
Existe sim um movimento que ao assumir seu cabelo natural você afronta esses padrões, mas ele tem o unico objetivo de mostrar para a mulher que se ela quiser pode ser crespa, cacheada, lisa, loira, ruiva etc. Um movimento que mostra que você e quem vai dizer o que é beleza para você! 
Espero que tenham gostado da nossa segunda história, estou fazendo tudo com muito amor e carinho.
Um beijo grande e obrigada por me ouvir.

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